Américo Rodrigues, do Núcleo de Estudos e Pesquisa dos Montes Laboreiro, apresentou uma panorâmica global da paisagem cultural castreja enquanto José Domingues, igualmente do Núcleo, transmitiu algumas conclusões inéditas resultantes da sua investigação histórica sobre o relacionamento entre a tomada do Castelo de Castro Laboreiro e o Recontro dos Arcos de Valdevez, a partir dos elementos constantes da carta de couto do Mosteiro de Paderne de 16 de Abril de 1141, e que até à data, apesar da sua proximidade geográfica, ainda não foi estabelecida qualquer ligação entre os dois acontecimentos históricos da época da fundação da nacionalidade.
Por tudo isto entendo que este livro deveria estar em todas as escolas galegas do ensino secundário e ser lido por todos os amantes da cultura galega, a começar pelos que aqui se encontram", concluiu Estraviz .
Desenvolvendo a sua explanação em redor de um sentimento próprio e dum espírito totémico que enforma a mítica República dos Raianos , situando o livro no contexto da recuperação da memória histórica e semântica, indispensável à procura da realidade e aprofundamento do mito raiano .
Olá!
envindo a este espaço destinado a castrejos e amigos de CBastro Laboreiro.
Além do cão, de que certamente já ouviu falar, em Castro Laboreiro desenvolveu-se durante séculos uma cultura agro pastoril de cariz comunitário, assente nomeadamente na partilha de equipamentos e bens comuns, como o forno, a eira, os baldios e a água, para consumo e rega, e na utilização mútua dos equipamentos individuais disponíveis, bem como na cedência dos próprios animais de trabalho. Ao mesmo tempo foram-se aperfeiçoando e consolidando as normas e princípios orientadores das relações entre vizinhos, que eram transmitidas oralmente de pais a filhos ao longo de gerações, permitindo determinar os comportamentos esperados de cada membro e resolver conflitos internos, protegendo o conjunto da intromissão de regras estranhas.
A subsistência económica assentava na exploração de um solo pobre cuja produção se reduzia a centeio e batatas, cultivados em barbeitos dispersos. Esta actividade era complementada com a criação de gando, e de rez que através da venda de crias proporcionava algum dinheiro, enquanto o leite reforçava a dieta alimentar e a lã fornecia grande parte da matéria-prima para o vestuário.
Atendendo à escassez dos recursos gerados pela actividade agro-pastoril, competia aos homens angariar o resto do dinheiro necessário ao sustento da casa. A mulher, além da participação nas tarefas agrícolas, ao lado do marido, tratava da casa e dos animais e cuidava dos filhos cuja educação era também responsabilidade comunitária,
Durante muitos anos os crastejos partiram no final do Outono para outras regiões do Norte do País ou da vizinha Espanha, procurando amealhar algum dinheiro, donde regressavam no início da Primavera.
A situação viria a alterar-se radicalmente quando os dois conflitos responsáveis pela situação de crise, a guerra civil de Espanha e a 2ª grande guerra, terminaram. Com efeito a partir do final dos anos quarenta os crastejos iniciaram um processo de emigração maciça para França que em três décadas originou uma diminuição de 50 % da população e privou Castro Laboreiro da quase totalidade dos seus homens em idade activa.
De agricultores livres, vivendo pobremente, passaram a maçons com bons salários, habitando nos bidonvilles, em condições sub humanas.
Aos contingentes iniciais de chefes de família seguiram-se os filhos mais velhos e posteriormente os mais novos, obrigados a abandonarem a terra natal para continuarem os estudos noutras localidades do País. Como resultado do êxodo dos adultos as crianças viram-se privadas da convivência do pai e a sua participação na economia da casa passou a ser indispensável desde tenra idade.
Com o decorrer do tempo e a melhoria das condições de vida, os valores fundamentais que suportaram a sociedade crasteja e os princípios em que assentava a formação do carácter dos jovens caíram em desuso, fazendo ruir os seus alicerces, enquanto a aculturação generalizada das novas gerações provocava conflitos e situações de desenraizamento. A solidariedade nos momentos difíceis foi substituída pelo exacerbar do individualismo e os elementos fundamentais de uma cultura centenária votados ao ostracismo, pelo abandono das actividades a que estiveram ligados e pelo desinteresse geral.
O êxito na luta pela melhoria das condições de vida, provocou uma situação de quase desaparecimento da cultura que impulsionou essa mesma conquista de bem-estar.
O objectivo final deste espaço é dar a conhecer uma cultura responsável pela formação do carácter franco, lutador, independente e solidário dos crastejos, evitando que seja lançada no precipício do esquecimento e na ingratidão dos homens ou reduzida a um simples monte de vestígios exóticos para turista ver, esmagado pelos símbolos arrivistas da “cultura” trolha, e transformada numa espécie de reserva cultural índia do século XXI».
O signatário, crastejo, pretende debater o problema do desaparecimento de uma comunidade serrana que nos últimos 40 anos perdeu mais de 60% dos eus efectivos e cuja cultura multissecular se encontra à beira do desaparecimento.
Bem vindo ao debate.
Manuel Domingues